Achamos muito interessante este artigo de Roberto Benelli (confira sua coluna no seu link em 'Importante' no nosso blog) sobre o mercado de exportação de artigos como o que vamos comercializar, e decidimos colocar no blog para todos terem acesso às informações deste profissional tão reconhecido.
Nunca como nos últimos meses a indústria calçadista brasileira tem sido agredida por todos os lados até enfrentar uma crise que por enquanto não mostra sinais de acabar. Infelizmente parece que o famoso ditado brasileiro “ no final tudo dá certo “ não esteja funcionando desta vez e as empresas só podem contar com a capacidade e a vontade de não ver a própria atividade prejudicada além dos limites.Vários fatores se juntaram de uma vez até criar uma situação negativa em termos de exportação, mesmo quando gradualmente, mais e mais empresas estavam tendo a experiência das vantagens de exportar, além de empresas que há bastante tempo têm destinado boa parte da própria produção na exportação. Nem precisa lembrar que as causas principais da queda das exportações de calçados foram a politica cambial e a concorrência chinesa, além de uma situação mundial que está dificultando ainda mais a vida do calçado brasileiro. Nem o mercado interno tem capacidade de absorver a produção que não pôde mais ser exportada e, uma maior oferta e uma inevitável maior concorrência criam outros tipos de problemas. No mercado interno não tem espaço para todos e a competitividade entre as fábricas para ganhar qualquer nicho, antes ocupado por outra empresa, se torna um dos efeitos colaterais negativos da crise na exportação. Quanto à politica cambial é dificil fazer previsões e nada deixa pensar que possa mudar de um dia para o outro. Além disso, na minha opinião a evolução do sapato chinês é irreversível. Nunca acreditei nas salvaguardas e sempre achei que a conquista dos mercados internacionais pelos chineses seria o resultado de um planejamento plurienal, estudado nos mínimos detalhes através de uma estratégia de penetração capaz de criar um processo irreversível. Geralmente falando, a situação na Itália não é melhor. O Euro forte em relação ao dólar dificulta as exportações para os Estados Unidos, o poder aquisitivo na Europa, em geral, diminuiu e consequentemente as importações de sapatos italianos também, e a concorrência chinesa tomou conta de uma boa parte dos sapatos de qualidade média, seja no mercado interno como na exportação. Como então a indústria calçadista italiana está se movimentando para freiar o problema ? Primeiramente potenciando o Design, procurando um qualquer direrencial que possa destacar o sapato italiano em relação ao chinês e agregando ainda mais valor ao produto através da tecnologia. Nada que não possa acontecer no Brasil também, sempre que as empresas estejam acreditando conjuntamente que este é o caminho certo. Em outros artigos já tive a oportunidade de estimular a busca de identidade por meio de um Design criado e não copiado, inspirado no Artesanato, aos produtos naturais típicos do Brasil ou a qualquer elemento de brasilidade que pudesse fornecer aquele diferencial necessário à criação de um estilo personalizado. Junto com a Francal, através do PRÊMIO FRANCAL TOP DE ESTILISMO, há alguns anos, já estamos incentivando o Estilo Brasil como conceito para se apresentar nos mercados estrangeiros com um produto diferente e não apenas competitivo. Hoje até as tendências futuras de moda podem ajudar neste desafio : os conceitos artesanais estão entrando na moda de calçados com tecelagem, bijouteria de alto nível, ornamentos de madeira, osso, pedras, vidro e fibras naturais. Talvez é o momento de acordar e fazer um esforço conjunto para que o sapato brasileiro possa chegar finalmente a conseguir uma identidade própria reconhecida no mundo. O importante é agregar valor ao produto e sair do sintético quanto mais possível. A tecnologia coloca a disposição couros reconstruidos para solados, forros e até cabedais que permitem aumentar o valor intrínseco do produto quase sem acréscimo de preço. A moda do ano que vem será caracterizada pela utilização de tecidos finos e elegantes para o calçado, saltos com decorações, anabelas pintadas e muitos outros elementos que a criatividade brasileira poderia desfrutar ao melhor. Buscar um diferencial e agregar valor ao produto - este será o trabalho dos estilistas e dos profissionais a ser incentivado e valorizado pelas empresas pois provavelmente no final, só por meio de quem tem a capacidade de criar, será alcançado um objetivo tão ambicioso quanto a salvação das exportações do calçado brasileiro.
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